(...) Redigidos por altos funcionário da Dinastia Qing com responsabilidades no governo provincial do Guangdong ou na gestão dos contactos com estrangeiros, não estamos diante de meros relatos de viajantes, de comerciante, dos cronistas locais ou de pequenos ou médios funcionários da magistratura distrital. Independentemente de serem essas muitas vezes as fontes primárias, estamos perante documentos chancelados e formatados numa das categorias mais solenes da burocracia de comunicação e decisão imperial: o memorial ao Trono, ou o zou. Os vinte memoriais (de 1808 a 1887)aqui publicados – no seu empenho em diagnosticar ou escalpelizar a situação global de Macau como condição de prever, evitar ou contrariar perturbações da segurança fronteiriça surgidas em ocasiões várias – acabam por pertencer a um género de “geografia política”, com todas as suas especificidades e estereótipos. Os documentos que assim se dão à estampa apresentam, pois, um traço comum: a descrição, tão completa quanto possível, do que ao tempo era Macau nas suas vertentes urbanas, sociais, e administrativas de modo a fundamentas – influindo – a decisão política pontual, constituindo por isso uma fonte inestimável para a compreensão do modo como o Governo Imperial encarou e geriu as suas relações com o estabelecimento português de Macau. (...)
(Do Prefácio)