(...) Ao Longo do século XX, os historiadores portugueses interessaram-se pelos territórios que integraram em diversos momentos o império ultramarino, e não era o caso deste. Também as relações com a Índia e a China foram mais atractivas para os estudiosos, por longo tempo se ter considerado que essas terras eram o berço das grandes culturas asiáticas, ficando mais esquecidos os países limítrofes e todo o Sueste Asiático, só recentemente objecto de estudos e publicações. Ora o Vietname, a sul da China, inserido na península da Indochina influenciado por duas grandes culturas nos seus vastos territórios e partilhando com a restante península de um mosaico de etnias e famílias linguísticas comuns à Ásia do Sueste, de que cinquenta e três grupos minoritários integram actualmente o país, comungou do esquecimento votado a outras regiões vizinhas pelos referidos historiadores. (...) Entre o Dai-Viêt e o Vietname dos nossos dias, existiu um longo percurso histórico feito pelos habitantes duma vasta região, localizada na península indochinesa, das mais conflituosas dos planeta. Apesar de actualmente poucos europeus saberem o que significa Dai-Viet e ainda que os territórios desse «ilustre povo» (usando a tradução etimológica) tenham ficado incluídos no actual Vietname, não seria historicamente correcto usar para o título deste estudo uma designação extemporânea ao período em analise, tanto mais que o espaço à qual é aplicada não coincide na totalidade com a anterior área geográfica. (...) O período escolhido para analisar coincidiu com o início das informações regulares, a partir do momento em que foi criada a missão da Cochinchina em 1615 e com o fim dessa regularidade, em 1660, período de crise e dificuldades quer para os jesuítas portugueses, quer para as missões da Cochinchina e do Tun Kim, quer para os contactos entre os portugueses e os antepassados dos vietnamitas. (...)
(Da Introdução)